24/11/2010

Dani, ela.


Á Daniela Parajara

Ela é moça
Linda moça, roda fofa, suspira
Ela é bela
Bela moça, roda encanta

Ela é sábia
Sábia, bela de sorriso longo
Ela é fofa
Formosura linda, encanta

Ela é séria
Séria moça, contenta o incapaz
Ela é rosa
Rosa linda, pinta rosto pro rapaz

Ela acompanha
Companheira distante, perto está
Ela é frágil
Valente guerreira, ai de quem afrontar

Ela é sábia
Sabe a palavra, sorriso sempre no olhar
Ela é doce
Não há quem não venha gostar

Cuidado moça, olha o caco de vidro...
Ela sabe onde pisa!

04/11/2010

Piquenique


Acorda a criança
Sono recobre cobertor
Luz ilumina o quarto
Desliga ventilador

Azeite e frigideira
Ovo a pipocar
Leite quente na chaleira
Mamãe a cantarolar

Cesta cheia fumegando
Dão-se as mãos e vão correr
Pisa leve no orvalho
Grama verde bem querer

Estende toalha sobre a relva
Pinta um céu de algodão
Vento leve abre os braços
Diz que é pássaro e leão

Sobe em arvore, pique-pega
Corre e ri até enjoar
Senta perto pede água
Mãe disfarça a se orgulhar

Soltar pipa, pai auxilia
Faz criança entender
Contra o vento é mais fácil
Mais um sonho ver nascer

Já de tarde pede colo
O de mãe que é mais macio
Coça o olho, eu te amo
Sinceras formas de carinho

01/11/2010

As Quatro Estações


Castanheira lá na serra
Árvore linda de se ver
Senta embaixo moça bela
Sombra fresca espairecer

Vem logo fruta em peso
E seu tronco se curvar
Parece estar cortejando
Moça bela a passar

Mas moça nem se vira
Castanheira se apavora
Fica feia escabelada
Galho puro, folha embora

Mas moça então se volta
Da sorriso e brilha o olhar
Castanheira se aflora
Pétala e flor a perfumar

29/10/2010

Samba Canção


Ouve tempos que pensei seriamente
Tocar-te, lhe ter em minhas mãos
Mas você que de angustia vivia
Não enxergou, só trancou o coração

Se adentrasse ao meu peito verias
Que ele um dia seu poderia ser
Mas você nem se quer abriu a caixa
Na ilusão de esperar amanhecer

Já faz tempo que você se foi
Nem chegou por completo me ter
Aqueles momentos que de alegria falava
Só lembro do meu coração a bater

Hoje ando calado sob a lua
Dizem línguas que sem cor, sem emoção
Se não fosse esse sentimento guardado
Não se teria o choro, meu samba canção

21/10/2010

Portela


Vem, teu passado é de gloria e feliz
Tu és na terra o luar, imperatriz
Enquanto viver eu vou te amar!

Portela, “eu nunca vi coisa mais bela”
Desde criança quando adentra a passarela
Suas cores fazem brilhar
Ó luar...

No sonho, que guardo em meu coração
Tens um ar de imensa emoção
Por você, me faz cantar
E trovar...

Mais bela, que as rosas de qualquer jardim
Tens no samba a essência que um dia
Inspirou todo um povo a cantar
Sonhar...

A quem, faz da vida um eterno luar
Hoje eu quero lhe homenagear
Pra você fiz essa canção
Com emoção...

Pois sei, que as lagrimas que correm do olhar
Vão em meu pandeiro pingar
Eu então farei um refrão
Coração...

Portela, desde que ti vi na avenida
Suas cores me trouxeram alegria
Eu pude então entender
A vida
Que se segue num tremendo alaris
Lhe entregar meu coração é o que diz
Essa sina de viver de emoção
Então, o que tenho é só poesia
Essa tirada de dentro onde um dia
Pulsou um grande amor
Muito embora, esse tenha ficado na história
O que tenho ofereço-lhe agora
És seu meu coração!
Portela...

30/09/2010

Almirante 410 e as Rosas


Há historias que a gente conta
Que ninguém vê ou se da por conta
Que muito amor doeu no olhar

Há certos dias que a gente acorda
Com a cara suja ou se quer torta
Com a esperança de que vai mudar

Há olhares tão distantes
Batendo a porta do horizonte
Pedindo abrigo, pedindo lar

Há pessoas que lhe invadem
Sem por que ser tão selvagens
Tomam-lhe conta e vão ficar

Há seres simples e serenos
Que nos completam com acalentos
Pronto pra poder morar

Em peito grande a casa e rua
Abriga postes, pessoas e a lua
Se quiseres vem, pode ficar

Meu coração é seu, teu lar!

20/09/2010

Hoje



Hoje,
Inventei de ser tranqüilo
Modesto um tanto quanto aflito
Sincero, um pouco mais coerente

Hoje,
Resolvi me aproximar
Decidi por mi manifestar
Queria ouvi-la cantar

Hoje,
Deixei de lado aquele velho passado
Só assim estando ao seu lado
Só assim te tendo tocar

Hoje,
Me peguei em suas mãos
Completamente sem coesão
Simplesmente ao seu redor

Hoje,
Manifestei um sentimento
Em mim agora não há mais lamento
E sim algo que pode ser durador

Hoje,
Deixei-me encontrar com a coragem
Driblei meu ser me pus a margem
Isso agora só você poderá resolver

Hoje,
Sem querer você me trouxe emoção
Dentro de mim agora um ar de explosão
Sem perceber você me fez sonhar

Hoje,
Transcrevi nessas linhas,
Algo que antes não me correspondia
Hoje senti de novo o amor.

Hoje.
Hoje você me fez sonhador!

29/07/2010

Navegar


(Musica)

No lamento do samba
descubro a ginga do olhar
e no choro da gaita
deixo meu pranto rolar

lá se vai minha coragem
embora se foi meu amor,
agora como é que escapo
como sarar essa dor?

como cessa esse rio
que no olhar assim fez,
como esmago a saudade
que bate na porta outra vez ?

assim não tenho pra onde fugir
onde quer que ande é só solidão
não pretendo conhecer novos mares
meu navio ancorou-se ao chão

rosas vejo florescer
tempestade aqui cai sem parar
fico ao fundo olhando de lado
esperando essa noite passar

não tem como entender
essa dor que me apavora
já tentei fugir, correr
mas tristeza não vai embora

e assim não sai do coração
essa farpa a me rasgar
fura mutila esmaga
já não sei até quando agüentar.

07/07/2010

Pandeiro, Surdo e Agogô


Jogo meu samba pro alto
Confetes no sapato, sujo de chão se ilumina
Morena jambo menina, se alegra de tanto pular
Pulando também vai seu Zé
Cantando se esbalda, mas o Zé Mané!
Dona Gloria Tereza em casa a sonhar.
Sonho estranho de festa esquisita
Molecada boba pulando avenida
Serpentina e confetes choviam no ar
De suor seus corpos se lavavam
Batuque de banda enchia-lhes a alma
Vibrações em seus corpos os faziam girar
Acorda assustada a velha Tereza
Vai à janela, e já não é surpresa
Fevereiro dos anjos é certeza no ar.
Carnaval vem chegando, o que eu quero é sambar!

30/06/2010

Serpentina


(Musica)

E agora amor
Que já não tenho mais seus braço
Já me foram embora seus abraços
Já não sei se posso mais sentir

Aquele sentimento puro
Embora frágil amor contudo
Embora forte
Ele se quebrou

E agora amor
Aquelas horas em que te sentia
Agora embora são melancolias
Agora choram as manhãs de sol

Aquilo tudo em que apostou
Aquele sonho se desfigurou
Jorrou no vale
Foice se perder

E agora amor
Que de alegrias já me são tão vans
Que as noites só me são vilãs
Eis a herança que você deixou

Antes bem forte um homem seguro
Agora um caco com medo de tudo
Olha pra baixo
Esse serei eu

Pois coração não é serpentina
Não se joga pro alto, não se faz ruína
Quando ele cai,
Isso dói amor!

29/03/2010

Isento


Musica
(À Caroline Xavier)

De alegrias e sono
Rumores e plumas
Beijos e sambas
Não me há vida alguma

Sem chinelo de dedo
Endereço pra estar
Não me restam pandeiros
Só me frustro ao sonhar.

Acabou-se o que encanta
Me mareja o olhar
Antes eu era criança
Agora um louco a rodar

Procurando distante
Sem parar pra dormir
Sigo o sol no horizonte, nega
Quando você sorri.

18/03/2010

Sem parar pra dormir


Foi no alto da serra,
Bem longe do manguezal
Uma cabana pra donzela
Uma rede, um varal

La fiz tudo bem juntinho
Que é pra meu amor se admirar
Admira curralzinho
Boi, cabrito a pastar

Fiz quintal, plantei amora
Laranjeira, Umbu e Cajá
De um tronco velho de macieira
Fiz a mesa de jantar

Foi no alto daquela serra
Que construí tudo pro meu amor
Cavei poço, fundo e longo
Fiz jardim, plantei flor

Plantei pomar, cerquei galinha
Cevei Tatu, Paca e Gambá
Na lagoa canoinha
E até marreco a nadar

Lá fiz horta, plantei repolho
Coentro, Salsa, Arruda e Alface
Em tudo espelhei seu gosto
Até Elixir, Urucum e Espinafre

Na cabana trabalhei dobrado
Fiz até mirante pra observar
Em nosso quarto, de vidro o telhado
Que é pra lua iluminar

Tem carroça, tem arreio
Cavalos vivem a galopar
Parecem estar sempre ansiosos
Pra te ver aqui morar...


Agora escolha o seu final “feliz”!)


Final Feliz Nº 1

Moça bela, sorriso longo
Quem poderia imaginar
Que por traz daquele charme todo
Era uma bruxa a disfarçar

Me fez de tolo, brincou comigo
Desritmou o meu rimar
Hoje tento e não consigo
Não faço versos, amém!

Final Feliz Nº 2

Mas eu que de bobo não sou nada
Me apressei na decisão
Dei um pé na bunda dela
Prefiro pinga com limão!

Convidei as mina lá do morro
Simbora pro sitio bebê?!
Larguei essa vida de homem sério
O que eu quero é metê!

Final Feliz Nº 3

Quando miro lá bem longe
Um Jegue louco a correr
Em cima dele é a donzela
Véu, grinalda e paetê

Fita vermelha na cintura
Cabeça enrolada no varal
Vi xe Maria que mulher louca
Acordou e não tomou o Gadernal.

Final Feliz Nº 4

Hoje em dia não consigo
Alegria tanta disfarçar
Basta olhar pela janela
Netos correndo a brincar

Do passado me orgulho
Não me arrependo do que decidi
Na loteria não joguei mais
Meu tesouro eu construí!

19/01/2010

Carta de Amor


Amor, aqui faz frio
Frio quente cachoeirense
Rio brando deslizante
A noite, pardo, fico a cantar

Gaita ponto bate reto
Notas tortas estrelas no teto
Às noites escuras
Fico sem ar

A saudade é crua, você no retrato
Durmo te olhando
Pensando se faço
Saio correndo a te encontrar

Não me faltam suspiros
E sonhos de vento
Você vem voando adentrar pensamentos
Já se passam 15, mais 15 virão!

Teve tempos em que gostei de janeiro
Mês quente em que era solteiro
Corria até as ondas
Pro mar namorar

Agora me pego sozinho
O mar não me quer, já são teus meus carinhos
Cadê você
Preciso contar...

Aqui
Ao leste dos Andes o tempo não passa
Os pássaros voam
Você levou minhas asas
Traz de volta correndo
Preciso sonhar

Sonho bom de viver só juntinho
Nunca mais se separar, que nem Canarinho
Em uma árvore no campo
Um ninho postar.

19/11/2009

Moribundo Sonhador



Quando o silencio oculta o dia
Corro livre a procurar
Uma fonte de água limpa
Um barulho a me salvar

(chua chua)

No zumbir do nada a noite
Não suporto ao encontrar
Um fosso negro de mente impura
Um silencio de matar

(Tara tatá)

A noite louca me atormenta
Finjo quieto não importar
O dia calmo me acalenta
Não suporto impregnar

Vivo sempre ao relento
Orvalho, relva, céu e ar
Sigo os dias, não o tempo
Deixo a vida se guiar.

04/11/2009

Roda pra Caetano


morena rosa sentada à janela
não desprega o olho, não dá trela,
sempre no canto a espiar
rolando deitado gingando na areia
baticundum chama sereia
boto d’água rei do mar

horóscopo Hindu diz a sina
quem samba na areia
suor desatina
serpente makossa
baticundum oxalá

mariposa voa adoidado
tambor requebra marcado
me convidando a assobiar
assobia sabiá sebosa
ave astuta honrosa
cor de terra canto de ar

o som desse surdo não é tão belo
sem o repique do pandeiro,
o arrastar de chinelo
cabelo de cachos avulsos ao ar

já brinquei de palhaço de chumbo
boneco bobo moribundo
faço som pra disfarçar
a vida minguada amarela
roupa de bamba, martela panela
dança de roda Iemanjá.

30/10/2009

Novo amor


A Milena Paixão.


De tanto achar que só se amava uma vez
A vida prega uma peça ao destino
Tira-me do centro, completa minha alma,
Faz-me moleque, bobo, um menino.

Desespero-me em saber, não sei como será!
Vou andando, cantando a lhe dar a mão
Entre versos e rimas, tentando chegar
Um caminho certo a esse coração.

E se um dia resolver meu barco adentrar
Não hesito, o leme entrego em sua mão.
Guie-me, conduza onde queres que eu vá
Faz da minha vida concreto e não pó de ilusão.

E se não me quiseres, irei retrucar
Farei um dança, quizumba na rua
Chamo os vizinhos para o fogo apagar
Te coloco nos braços, te levo pra lua.

23/10/2009

Senhor do tempo


Já vi o tempo passar
Apressado rotineiro
Entre malas de estrangeiros
Carregando o sabiá

Entre postes
Pulando cercas
Desafiando as barreiras
Desse meu vai lá, vem cá

Aflito, subindo a ladeira
Escorrega, ribanceira.

Pronto.
Agora já não apanha o pássaro.
Selvagem, domado pela rotina,
o solto na neblina
que é pro o mundo conquistar

Voando pelo céu de luz neon
Passatempo favorito
Batendo asas no infinito
Dribla o tempo sem parar

Nunca cesse,
belo vôo corriqueiro
Pois de preto, é o estrangeiro
Ele vem te apanhar.

Tem um certo nome lorde
Muitos chamam, é a morte
Para mim és libertar.

07/10/2009

Sentimento


E de tanto sonhar,
Sonhador virei
Um castelo no campo
Ela rainha, eu rei.

E nas noites de chuva
Eu irei ordenar.
Que se prepare o ninho
Para a gente se amar

Entre lua e sol
Vendo o tempo sucumbir,
Será bem vinda à hora
Em que minha princesa surgir

Por natureza Luiza
Mulher valente, serena.
E de um segundo nome
Essa será Helena.

E quando a noite se vai
O que me resta é o dia.
Fico sonhando acordado
A lhe fazer poesia.

21/09/2009

Eletro imã


Fim de semana. É chegada a hora em que a família, com seus filhos, netos, primos, cachorro e agregados, descem ao nível do mar. Nada é igual. A ansiedade que se passa a caminho, o Jorge Bem Jor que toca no carro não é o mesmo que se escuta em casa ou no trabalho, o cachorro late a farejar a maresia, o portão descascou com a ultima chuva, a porta emperrada faz desabar as malas por ali mesmo, o entusiasmo reflete nos olhos o azul do mar.

As Marias varrem, descarregam os mantimentos, lavam os copos, descascam os camarões. Já os Joãos, esses entopem a geladeira com cerveja e num piscar de olhos estão a banhar-se nas águas salobras. Por horas a fio tostam ao sol. Em seguida telefonemas.

Na varanda da frente uma mesa redonda, uns amigos da velha guarda, um pandeiro, chocalho, surdo, cavaquinho. Músicas de autoria própria, uma fala do padeiro que deixou sua rosca queimar, outra da sogra que é de brinquedo, tem até que retrata um perua que mudou de nome, todos sempre encantados, mesmo durando até o anoitecer. Enquanto isso, a trégua exala seus minutos de alegria. Uns tomam banho, outros conversam na cozinha enquanto se é preparada a moqueca, as crianças preparadas para dormir, os jovens se arrumam a fim de algo que ainda não sabem o que, as senhoras rodeiam a televisão para mais um capitulo da novela, o veterano prepara a mesa redonda. Um carro buzina. Um senhor portando um violão se aproxima, cumprimenta a todos, senta, afina seu brinquedo, lança sobre a mesa uma tal de “pasta três” e abre a noite com um Benito de Paula. Um tio se achega, senta, observa. Sua senhora se aproxima e o faz companhia.

Entre Noel Rosa e Dorival Caymmi, chegam os jovens, assustados, porem encantados. Agora não mas iriam para onde fossem. Hipnotizados, permanecem imóveis.

As tias mais velhas se rendem. Agora muitos cantam, aplaudem entre uma cachacinha e uma cerveja. A pasta três mostra do que é capaz. Beth Carvalho, Moreira da Silva, Toquinho, vão dando vida ao repertório. Quem antes chorava, agora canta, sorri, irradia alegria. A tia mais nova com cara de menina, dança, requebra sozinha ao lado. Quem antes assistia a mais um imperdível capitulo da novela, agora estava tomado pelas melodias. O vô com seus passos serenos se achega, senta, observa, e entre um Chico Buarque e Cartola, de cabeça baixa sendo acariciada pelo filho, quase deixa o pranto rolar. Talvez por lembrar de um passado bom, ou pelo mesmo motivo a que todos permaneciam ali, a celebração da vida, musicada, cantada e o melhor de tudo, em família, pois, “família é quem você escolhe pra você, não é preciso ter conta sanguínea, é preciso sempre um pouco mais de sintonia,” família!

16/09/2009

Meu sambar


Há que se proste à um belo samba
Não tem hora a começar
Vai de cedo a varanda
Até a noite adentrar

Mas quem no inicio se animou
E já é hora de chegar
Vai de reto à cozinha
Traz cadeira e bom chá

Pois aqui não se tem hora
Para ir ou pra voltar
Puxa a mesa, entra na roda.
É mais um samba a começar

Já falei de Terezinha
Mãe das águas céu e ar
Dança balança mocinha
Todos juntos a acompanhar

Roda a saia mulata fogosa
Remexe balança pra lá e pra cá
Orquestrando-me a toda hora
Minha senhora a espiar

Peço a Ogum que me conceda
Essa prece edificar
Que me de festa o ano inteiro
E a minha vida espichar

E lá se vai mais um dia
O povo todo a se retirar
Peço a deus com enorme euforia
Para essa noite, com roda de samba sonhar.

09/09/2009

Nanune Nanda



Eu que andava triste e só
Sem motivos parei de cantar
Não tinha mais razão
Para o meu violão e o cavaco chorar

Mas um dia isso tudo acabou
E a tristeza parou de apertar
Pois você conheci e ao seu lado aprendi
Vale a pena sonhar

Em um papel versos risquei
Meu violão voltou a cantar
Você foi a razão para o meu coração
Não parar de sambar
E o que eu sempre quis
Foi com você feliz
Ao seu lado ficar

Paranune, nanune, nanune Nanda
nanune, nanune, nanune, Nanda (3x)

Pois você é a razão, para o meu coração
Não parar de sambar.


Javaris F. Leonardo

31/08/2009

Deja vu


Foi a castanheira, mais uma vez passando debaixo dela levei uma “castanhada” no nariz, só que desta vez não tinha mais nove anos para sair chorando e pedir para a mamãe passar remédio pra sarar, desta vez foi diferente, olhei para cima e durante um minuto fiquei parado, lembrando, só lembrando daquele tempo.
Incrível, ela parecia estar menor! Afinal, que eu saiba, castanheiras com o passar dos anos não diminuem de tamanho!
Me lembro perfeitamente como era difícil subir nela, eram quatro etapas que deviam ser executadas com muita cautela, a primeira era pegar a escada dentro de casa sem que mamãe percebesse, logo depois vinha o transporte da mesma, esse que deveria ter o dobro de cautela, pois “nadar, nadar e morrer na areia” não era meu estilo aventureiro predileto, e passar arrastando uma escada em frente de casa sem que dona Luiza visse, há, isso sim era uma missão e tanto, mas como sempre, executável. Pronto, lá estava eu, na pontinha daquela arvore que cresceu comigo, e embaixo dona Luiza, com uma “havaianas” na mão gritando, “desce daí menino...”, pronto, terceira missão, pular do pé de castanha e mais do que depressa partir no galope, e ela gritava “eu te pego seu moleque, deixa você voltar pra ver”, era agora que entrava em ação a etapa mais importante de todas, a etapa numero quatro, na verdade não era difícil de ser cumprida, afinal, coletar algumas amorinhas e flores silvestres em um sitio é uma missão tranqüila para um menino de nove anos.
Pronto, mais uma vez havia comprado minha liberdade, era só fazer uma cara de tristeza e falar, “mãe, mãe, olha só o que eu peguei pra você”, ela sorria e eu estava perdoado.
Quatorze anos se passaram, a castanheira continua lá, e eu me pergunto: Até quando? Até quando ela resistira ao tempo? Por via das duvidas, hoje vou subir nela, e mesmo sabendo que dona Luiza, desta vez não vai estar lá embaixo pedindo que eu desça, na volta para casa coletarei algumas amorinhas e flores para ela.

Javaris F. Leonardo

07/08/2008

O Tempo


Mais um dia, mas um dia que chega ao fim, menos um dia de vida, será que aproveitei ao Maximo? Será que amanha vou acordar aqui? Será que vou sentir o chão? Será que vou respirar? Será que vou escutar os ruídos do mundo? Será que vou enxergar os movimentos a minha volta? Será que vou poder dizer o quanto gosto de você? Será que vou ter tempo de te pedir perdão? Será que cumpri minha missão na terra ou deixei de fazer o que a mim conferia? Será que devo continuar a escrever ou parar por aqui? Me diz...
Ainda não escutei...
Ainda não senti...
Ainda não vi...
Ainda não percebi...
Sentimos o que no faz mal, escutamos o que nos denigre, vemos o que nos machuca, provamos o que nos enfraquece, e você ainda reclama da vida...
Quem faz a vida é você e é você quem a destrói, mas do que adianta, amanha posso não mas estar aqui não é verdade?! Então vou parar, escutar, sentir, provar, ver, e depois... e depois? Não sei, acho que vou voltar a meu mundo medíocre, banal, e provar das “coisas boas da vida” e deixar que a vida me carregue para bem longe, vou ligar minha TV e assistir a uma boa novela, assim posso aguçar meus sentimentos e apurar meu intelecto, afinal, o tempo esta passando e minha vida chegando perto do fim...
Não seja banal, corra, pule, grite, chore, dance, viva, pois o tempo, tic, TAC, tic, TAC, tic...

Javaris F. Leonardo

13/10/2007

Presente de aniversario


...mais um 26 de outubro se aproximava e dessa vez manoel, pai de augusto, não esitaria em dar o presente que seu filho quisera...
- bom dia filho, feliz aniversario
- muito obrigado pai
- filho hoje é um dia muito especial para você, e para mim também é claro, portanto, quero que você escolha o presente que quiser...
- serio pai, o que eu quiser?
- sim meu filho. aquele que você quiser, não se preocupe com o preço, pode pedir que lhe darei.
- haa, valeu pai, então já sei o que vou querer...
- mesmo? então o peça!
- pai, vou querer o jogo de bonecos da vida, mas quero aquele que vem com todos eles, o completo...
quero o boneco rafa, esse com seu jeito menininho de ser, um sorriso que não sai daquelas bochechas, esse será um irmão para mim, quero a boneca nathinha, com seu jeitinho de menina moça aquele modo todo meigo e o seu falar macarõn, nossa sem igual, quero a boneca nathi, com seu jeito nathi de ser, sincera honesta linda, não perdoa, fala na lata o que a aflige, gosto disso nela, quero também o casal jeh e marcim, esse dois sim vão ser responsáveis pelos meus teatros, haaa to até vendo a cara da jeh quando começarmos a interpretar, quero os bonecos duh e dudu esses dois sim formam um par perfeito, quero andrei e luiza, casal sem igual, quero flavio leandro e rogerio, com esses vou montar uma banda, quero a lolo, aqueles olhos verdes me passam uma paz tao boa, quero a pri o ramom o luiz... quero a dani, essa nas horas de depre vou chamala na varanda sentar ao lado do tanque e contar sobre a vida... em fim pai, quero as outras dezenas todas, afinal, ficaria aqui por horas citando todos...
- mas filho, você esta se esquecendo que já tem todos eles?
- nossa, é mesmo pai, já os tenho, então sei o que quero!
- então filho, peça!
- quero que nesse meu aniversario você me de o maior presente de todos, de muita saudade para eles e para mim
para que com isso eu possa passar por muitos e muitos anos com eles, os proteja pai de todos os perigos terrestres
e os guie em um caminho bom, pois a felicidade deles é a minha...
...já tenho o maior presente do mundo!

24/09/2007

As flores falam


Era uma vez um lindo jardim, cheio de flores bonitas que irradiavam beleza para todos os lados, não havia outro igual a um raio de centenas de quilômetros, uma mais linda que a outra, não existiu ate hoje flores que demonstrasse tal fragrância, mas como tudo que vive um dia se vai, lá se foram e com elas a essência de seu perfume, é claro que deixaram para traz algumas folhas que para nossa geração já é motivo de euforia, quem me dera poder hoje sentir o brotar de seu perfume, á se tivesse nascido na época em que o jardim era verde, com certeza o regaria todos os dias, mas infelizmente as flores morrem antes que os espinhos, tais que ainda resistem ao tempo, espinhos esses que tropeço todos os dias, basta olhar nos olhos de nossa gente, pessoas de passado tão glorioso e presente tão, tão, deixa pra lá! Povo que opta por dar valor as flores de plástico em vez de glorificar nosso jardim, esse que já abrigou as mais lindas e verdadeiras, se não me falha a memória, acho que me lembro de algumas: tinha a flor Rubem Braga, a Roberto Carlos, tinha até a digníssima Serjo Sampaio, flores de tamanha beleza que não mas nasceram em nosso solo minguado.
O que nos cabe é preservar as poucas e boas que ainda restam, temos que construir um futuro que realmente vala a pena, pois já estou farto de ter que viver de passado.
...nunca deixe para amanha o que você pode fazer hoje!


Javaris F. Leonardo

13/09/2007

E lá vem elas


Mais um fim de tarde que se aproxima, a luz dos postes encarrega-se de dar um brilho a mais à cidade, enquanto tudo isso acontece... Lá vem elas, com seu glorioso e esplendido vôo, um bater de azas singelo, de grupos em grupos como se estivessem preparadas para uma guerra se aproximam, com sua formação em (V) e seu vôo rasante vão chegando para repousar sobre a copa das arvores, essas que por sua vez repousam no rio Itapemirim, ou parte do que ainda resta dele, as vezes a tarde em mais um rotineiro passeio pela nossa charmosa beira rio me pego a pensar no tempo de criança, e chego a conclusão de não me lembrar como eram belas as pedras do fundo de nosso lindo rio, ou será porque elas nunca estiveram avista? Na verdade não sei! O que me confere certeza é que a princesinha do sul não mais ostenta o charme de abrigar seu porto e sua estação ferroviária, pois a ponte que antes dava passagem a barulhenta comitiva, agora da lugar aos carros, o rio que abrigava as pequenas embarcações, agora da lugar as pedras, será que a nossa princesinha do sul não tenha amadurecido e virado a vovozinha? Será que por mas quanto tempo teremos nossas garças indo e vindo todos os dias? Na verdade não sei! Se tudo continuar no ritimo que está, o que pode vir a acontecer é daqui à algum tempo termos que trocar a musica tema da cidade, em vez de “meu pequeno cachoeiro vivo só pensando em ti...” passará a se cantar, “até mesmo a aza branca bateu azas do sertão...” o difícil mesmo vai ser ter que explicar para nossos netos, com um certo ar de culpa é claro, como aquela cratera que corta a cidade já fora um lindo rio.
Mas uma vez a natureza terá que adaptar-se as mudanças provocadas pelo homem e o mesmo pagará pelos seus repentinos erros, que venha a era em que os pássaros passaram a caminhar e os peixes a descer o rio para desovar.
Vida, ó doce vida, quero ver se tu escapas dessa vez!